Alcoolismo e/ou Dependência química tem cura?

•17 17UTC Julho 17UTC 2009 • 5 Comentários

O que fazer quando um ente querido torna-se escravo do álcool ou das drogas? Como alguém do nosso meio pode chegar a esse ponto? E agora, qual a coisa certa a fazer? Entregá-lo nas mãos de estranhos? Deixar que o levassem sob efeito de sedativos? Afinal, o que está acontecendo conosco? O que fizemos para merecer isso?

As perguntas são muitas e variadas. Envolvem questões éticas, religiosas, físicas, sociológicas e psicológicas. Antes de qualquer coisa, o álcool e as drogas são produtos de mercado. Em torno deles, há milhares de interesses em jogo e a contrapartida interessada em removê-los do meio social não corresponde. Parece que o ser humano pretende mantê-los em sua rota de desgraças e devastações até o fim dos nossos dias na Terra.

O que move a maior parte da violência que assistimos na televisão, hoje em dia, nos morros do Rio de Janeiro, nas favelas de todos os grandes centros urbanos, nas escolas, nos bares e boates, nas ruas, etc., é a distribuição e consumo das drogas e do álcool aliado ao nosso espírito ganancioso. O agravante maior é a falta de legislação eficaz e responsável e isso não é um privilégio brasileiro. Na verdade, não existe um modelo ideal. Talvez, as taxas menores de consumo em países muito desenvolvidos como Dinamarca, Finlândia e Noruega onde impera a método de redução de danos, nos diga alguma coisa, seja pela estabilidade desses regimes ou pelo método adotado em relação ao problema.

A opção pela redução de danos em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento tem se mostrado obsoleto e desastroso, quando não se torna catastrófico. Assim, as vozes favoráveis à chamada tolerância zero elevam-se e logram êxito. A violência aumenta e o problema multiplica-se ao invés de diminuir.

Em meio a tudo isso, alguém de sua família foi tragado para o meio desse mercado horrendo. Como foi que isso aconteceu? Ele (a) era um vagabundo e nós não havíamos percebido? Nós temos alguma culpa nisso? A resposta aqui é não, nos dois casos. A dependência química é uma doença cem por cento orgânica e qualquer pessoa está sujeita a tornar-se um dependente. Será só uma questão de começar a usar. Uma vez iniciado, não há volta. Essa é uma rota de mão única, se a pessoa não receber ajuda externa.

No Brasil de nossos dias, o lob dos profissionais de psiquiatria e psicologia unidos no sentido de conquistar o direito de tratar os dependentes fez efeito desejado e cabe a esses profissionais a tarefa, agora com grande amparo legal.

Sendo um mal físico como outro qualquer, não há como duvidar que uma, se não a maior, de suas conseqüências seja a alteração e comprometimento do equilíbrio psíquico e psicológico dos dependentes. As drogas mais utilizadas pelos dependentes, atualmente, são devastadoras e eles podem tornar-se farrapos humanos em questão de dias. Os dependentes do álcool estão na mesma situação com o agravante de que o objeto de sua dependência está à disposição deles em qualquer esquina, com direito a nota fiscal.

O consumo de drogas e álcool coloca o usuário no corredor da morte. Será apenas uma questão de tempo. Condenados eles estão. Alguns perdem a vida rapidamente e todos têm sua longevidade comprometida a uma intensa redução de dias, meses e anos.

Se você deseja salvar a vida de alguém, cada minuto conta. Essa pessoa precisa de ajuda imediata agora. Não é amanhã e muito menos depois. Dependendo do caso, ele (a) precisará ser ajudado de forma involuntária (quando a pessoa, incapacitada de escolher o que é melhor para si pelo envolvimento com a droga, é sedada e conduzida a uma clínica para tratamento) e aí, a internação será compulsória. Em casos mais brandos, o tratamento poderá ser desenvolvido de forma voluntária, com ou sem internação. Entretanto, há muitos mitos em relação à dependência e seus tratamentos.

O período de internação varia de uma clinica para outra, mas em todos os casos, a primeira fase de tratamento objetivará a desintoxicação do dependente. Dificilmente isso ocorrerá satisfatoriamente em período inferior a dois meses. A recomendação é por um período de internação não inferior a quatro meses, a fim de dar mais consistência à desintoxicação e abrir o caminho para uma recuperação prolongada.

Em casos mais graves o tempo de desintoxicação será, naturalmente, maior. Durante esse tempo, qualquer ingestão do elemento de dependência (droga ou álcool), obrigará o inicio do tratamento, outra vez. Às pessoas cuja perda do controle em relação à dependência seja flagrante recomenda-se internação em clínica fechada, sem qualquer possibilidade de acesso às ruas.

Existe, hoje, em nossa cidade, uma oferta considerável de tratamentos voluntários e involuntários. Nos centros de tratamento mais conhecidos a disponibilidade de vagas costuma ser escassa, tal a demanda para esse tipo de tratamento. Além da qualidade do tratamento oferecido e das instalações oferecidas, o custo do tratamento será determinante na hora de escolher o local mais adequado.

De nossa parte, acreditamos na prevenção com o fim de evitar o mal antes que ele se instale, na recuperação e conseqüente salvamento das vidas envolvidas com esses males perversos. Se há cura total ou parcial, não interessa resolver nesse momento. O mais importante é estender a mão a quem precisa. Essas pessoas não têm a menor chance de sair dessa situação sem ajuda e solidariedade, principalmente daqueles que os amam.

Originalmente publicado no Cleaner Br

O apóstolo dos pés com tênis Reebok

•16 16UTC Julho 16UTC 2009 • Deixe um comentário

Dormia sono pesado, daqueles com sonho complicado em que você fica questionando tudo e se surpreendendo com a presença de gente que já foi ou aqueles sumidos há tempos, quando algo me acordou. Aguardei uns segundos antes abrir os olhos, por fim  ouvi o ruído de algo parecido com uma respiração ou transpiração ofegante e lembrei, finalmente, de quem seria. Sim era o Raniel. Ele ficou olhando em meus olhos algum tempo antes de falar e eu, por alguma razão desconhecida, também não disse nada, então ele falou:

- Custou a acordar hein? Sonhando com anjos? (Risos) Esperei umas duas dessas suas horas.

-Por que não me chamou? Perguntei.

- Seu sono parecia tranqüilo e repousante, achei melhor não interferir, de imediato. Mas tenho uma lista imensa de visitas a fazer e estou uns dias atrasado. Imagine. Já passei pelo quarto do Thomas, tudo bem com ele. Continue com os curativos, aquilo está meio feio, mas melhorou desde a última vez. No momento certo, tudo ficará bem.

Nessas horas me dá uma vontade de perguntar o que seria o tal “momento certo”. Entretanto, em minha larga experiência de contato com anjos, aprendi a não fazer certas perguntas. Então ele continuou:

- Pessoal no céu, assistindo a dança dos apóstolos aqui na terra, decidiu ungir alguns apóstolos com marca registrada, como vocês costumam dizer. Há muitos se auto proclamando por aqui, mas não tem o ®  do céu.

- Verdade? Não resisti.

- Não consigo imaginar um apóstolo verdadeiro em nossos dias. Completei.

- Pensamos em alguma coisa sobre como seria. Existem muitas facilidades agora e um apóstolo poderia fazer o trabalho com muito mais resultados e em muito menos tempo, do que fizeram os anteriores. Estamos procurando as pessoas adequadas. Sabe como é, de onde venho, as exigências são estranhas a vocês.

- Não deverá ser tarefa muito fácil essa, digo, encontrar alguém que atenda essas tais exigências estranhas a nós. Arrisquei.

- Não é mesmo, nem um pouco. Mas já fiz uma sugestão a eles. Falou levantando a sobrancelha e ainda notei um pequeno sorriso no canto da boca dele. Um certo frio me passou pela coluna vertebral, de alto a baixo. Então ele emendou:

- Isso mesmo, eu indiquei você. Pela expectativa, achei que você se enquadra. Agora ele estava rindo mesmo e eu muito assustado.

Então continuou:

- Ainda não definimos a missão, completamente, mas deverá estar dentro da idéia de dar continuidade à tarefa iniciada por Jesus, ou seja, proclamar o Reino de Deus. Mas fique tranqüilo, ninguém decidiu nada ainda. Então não saia por aí bancando o apóstolo, por que você ainda não o é. Vai precisar ser  ungido e não é por mãos humanas. Além do mais, não sou lá uma grande referência e suas chances são mínimas. Aquele outro anjo que você conhece, seu ex-anjo, hoje o guardião pessoal do tal pastor, também fez uma indicação, adivinhe,  e outros fizeram igualmente.

- Raniel, só você mesmo para me indicar a alguma coisa. Por aqui, não me indicam nem para limpar igrejas. Ralhei.

- Sabemos disso, mas você tem condições para ser o apóstolo desejado, não se subestime e não me faça a desfeita de aceitar trabalhos de faxina em igrejas. Ninguém lá no céu entenderia algo assim, de sua parte. Bom, agora preciso ir. Pense nisso, mas sem desesperos. Qualquer novidade eu apareço. Tchau. E sumiu.

Imagine minha situação agora. Não sei nem se teremos um amanhã, tudo que tenho é uma caverna e o cara me vem com essa: ser um apóstolo. Caspite!  Bom, pelo menos é uma caverna cibernética e posso calçar um Reebok, ao invés de virar outro apóstolo dos pés sangrentos, se  bem que não  sou mais pentecostal. Não me animarei de forma alguma. Primeiro porque já sei quem será o preferido da maioria dos anjos, apesar que, negócio no céu não é democrático, se fosse, não teria chance alguma. Agora caso seja o escolhido, saberei tratar-se da maior fria da paróquia. Se fosse moleza, os preferidos seriam os caras do Morumbi, Água Branca, etc., como sempre.  Bom, pelo menos a dureza de vida que tenho enfrentado fará algum sentido, muito embora, acredito que apóstolos recebam algum Kit extra, específico para fazer o trabalhinho deles. Vamos ver.~

lousign

Sonhos de um adolescente que envelheceu sonhando errado

•15 15UTC Julho 15UTC 2009 • 8 Comentários

Se eu fosse um adolescente, hoje, sonharia meu futuro mais ou menos assim: Um bom emprego em uma estatal, de preferência a Petrobras, mas na área administrativa, nada daqueles trabalhos perigosos em alto mar ou no meio da Amazônia. Ser membro de uma das Igrejas da moda, afinal, como ensina o grande filósofo Erasmo Carlos, “ande com os grandes e será um deles”. Ler só os livros do momento, como Por que você não quer mais ir à igreja? e não pense em pensar, isso pode enlouquecer. Com esse emprego, até poderia planejar casar e ter alguns filhos, uns três no máximo. Mas toda a cautela é necessária nesse terreno. Se casar, tentar ser o menos emocional possível, pois os sentimentalóides costumam ser grandes fracassados. Música a ser curtida segundo as indicações dos blogs especializados para não correr o risco de oferecer seu ouvido aos sons pouco alinhados. Filmes também, nunca perder tempo em assistir nada que não tenha sido pré aprovado pelos senhores do way of life dominante. Assim não haverá risco de errar. Na Internet, privilegiar o Twitter, mas com muito cuidado. Só escrever frases, cujo teor, não possa comprometer-me de forma nenhuma e com coisa alguma. Geralmente, escrever o que as pessoas leiam sem precisar fazer algum esforço monumental tentando entender. Nesse caso, melhor deixar de lado ironias e sarcasmos. Homer Simpson, o perfil dos twitteiros, não compreende conceitos abstratos. Manter uma conta corrente no maior banco privado do país é aconselhável, pois as pessoas sempre me darão mais crédito se meus cheques forem daquele banco. Ter muitos cartões de crédito na carteira será muito bem vindo, isso causa um impacto legal. Roupa sempre das grifes da moda. Se for usar imitações, cuidado, tem gente especializada em detectar essas fraudes. Se for à praia, limitar-me aos espaços bem vistos pela maioria. Nunca me aproximar do litoral menos nobre. Só ler a Bíblia se for uma autentica NVI, de preferência editada pela Editora Vida, sei lá por que, ou porque é a preferida do Ricardo. No mais, ler muito as bobagens melodramáticas escritas pelos pastores de barrigas cheias dessas igrejas da moda, e mencionar isso no Twitter, a única utilidade dessa atitude, mas importante na manutenção do tipo. O apóstolo Paulo foi um imbecil ao revelar que eles, sobre o que não entendem, fazem ousadas asseverações. Pode não ter a menor relevância, mas me manterá no topo do mundo. Caso ainda não tiver curado alguma preferência desalinhada, como idéias anárquicas e simpatias pouco usuais como acreditar no livre pensar, não mencionar a ninguém, nem sob tortura. Morro, mas não digo. Isso poderá custar meu emprego na Petrobras, meu casamento, filhos, carro e algum possível cargo de fiscal do tempo ou membro de alguma daquelas comissões sem substância que não levam a nada ou lugar qualquer, lá na grande igreja. Ah, fazer algum mestrado, mesmo que seja qualquer dessas tolices como Ciências da Religião. Se der, engatar logo um doutorado, na mesma área, para não precisar usar muito tutano ou meu fosfato. Nunca, em hipótese alguma, demonstrar qualquer afeição pelas idéias neo pentecostais, mesmo que as acalente em segredo. Se ler algum livro do Benny Himm, Hagin ou do Murdock , queimá-lo em seguida e enterrar os restos queimados. Depois jurar que nunca os li, sempre que necessário. A leitura de blogs mais densos e pouco alinhados como os do Brabo, Allysom, Roger, Nelson ou Rubinho está liberada, desde que não caia na asneira de deixar um comentário ou qualquer rastro da visita. Para tanto, basta usar um desses sites facilitadores, como o Bloglines ou Netvibes. Lembrar todos os dias que, se perder o status, ninguém, homem ou mulher, desses meios escolhidos, me estenderá a mão, muito menos o Deus deles. No mais, será viver sempre cuidando da imagem, não da auto imagem, mas da imagem que os outros têm de mim. Isso é o que importa o resto e besteira. Os meus reais sonhos de adolescente foram totalmente equivocados.

lousign

Um profeta bem trapalhão

•14 14UTC Julho 14UTC 2009 • 3 Comentários

No capítulo 10 de Mateus encontramos a narrativa da missão dos doze discípulos. Jesus os envia com um discurso exótico, no qual lhes profetiza, em detalhes,  sofrimento e grande perseguição. Entretanto, nada lhes aconteceu. Profetiza ainda o aparecimento do Filho do Homem, antes de terminarem o trabalho missionário nas cidades de Israel, e isso deveria significar o início do Reino Messiânico durante o tempo da missão deles e, para piorar ainda mais, não os espera voltar, por isso. E ninguém apareceu. Por que raios Jesus fez isso, se nada aconteceria? Não me venham com a velha desculpa de se tratar de frases de Jesus coletadas após sua morte. Nem o Roberto Jakob seria tão asno ao ponto de atribuir-lhe profecias não cumpridas. O texto original me convence plenamente que Jesus prometeu perseguições aos discípulos, bem como o pronto surgimento do Filho do Homem divino, embora isso nunca tenha acontecido de fato. De onde ele terá tirado essas idéias mirabolantes, no que ele costumava ser pródigo, diga-se, e mais, diante disso, ele não teria ficado na maior saia justa diante de seus seguidores?

Adaptação dos estudos dos evangelhos sinóticos de Albert Schweitzer

O papel da mulher na sociedade

•13 13UTC Julho 13UTC 2009 • 2 Comentários

Enquanto sofria aqui, devido a escassez completa de trabalho e, conseqüentemente, de receitas capazes de saldar umas continhas insignificantes, como luz, água, aluguel, comida e todas essas bobagens de nossos dias, comecei a me perguntar sobre a relevância de mais um post sobre o papel da mulher. Já escrevi tantos que está difícil controlar o ímpeto das editoras evangélicas ou seculares na ânsia de publicar um livro meu sobre o tema, juntando todos esses textos, desesperadamente carentes de chegar ao grande público, por essa outra via. Tempos atrás, ocorreu-me ser papel da igreja o posicionamento, seja ele de direita ou de esquerda, não importa. Nisso a igreja católica anda sempre a passos largos à frente da igreja evangélica. Por isso, desde o começo, tratamos de declarar os dogmas da igreja que se reúne em grutas sobre o papel da mulher, essas pessoas estranhas, seres humanos despojados de falos. Se Deus as privou desse instrumento indecoroso, deu-lhes beleza (com exceções, afinal o velhinho não costuma ser justo), sensibilidade, feminilidade, equilíbrio e sensualidade. No resto, somos todos iguais. Mas entre os grutenses, cremos na velha e ultrapassada família como forma de organizar a sociedade. Dentro dela, cabe ao homem o papel de gerador e à mulher o papel de genitora. Aos filhos sobra a esperança de um dia serem como um de nós. Feito isso, os homens devem sair à caça, enquanto as mulheres gerenciam o lar e cuidam do grosso na educação dos filhos. A roupa fica por conta da Brastemp, a comida trivial a cargo da D. Benta e a limpeza pesada com a Suelen. A louça também deve ser entregue à Branstemp. Na falta dos artefatos eletrodomésticos e das mocambas, sugerimos uma divisão racional do trabalho, desde que estejamos livres quando houver jogos do Corinthians televisionados. Se não houver filhos, o casal poderá decidir quanto ao desperdício da mulher em algum trabalho desses que há por aí, que podem ser executados por quaisquer marmanjos burros e deseducados. Nunca é demais lembrar que as mulheres e pessoas muito jovens no mercado de trabalho, pode significar bem menos postos de trabalho para os provedores das famílias e mais lucro no bolso dos senhores capitalistas. Agora se a mulher for … digamos, uma Dilma, por favor, mantenha-a em casa, nem que seja à força e mesmo que ela seja sua vizinha, apenas.

O Mito Emprego

•12 12UTC Julho 12UTC 2009 • 3 Comentários

Enquanto o jogo não começa, resolvi escrever mais um post. A razão é o mito emprego. Em meus anos de mendicância, tenho recebido o inédito conselho para arrumar um emprego, de várias formas, vias diretas, indiretas, cibernéticas, etc. Claro que eu nunca havia pensado em uma opção dessas antes desse conselho. Isso jamais me passaria pela cabeça. Certamente, o cara precisa de um QI muito mais elevado do que meus parcos 128 pontos, para ser capaz de pensar uma solução tão elaborado quanto essa. Bom, incompetências à parte, desde que li o livro “O Fim dos Empregos” comecei a desenvolver uma série de pesquisas e teses sobre o tema. Minha única motivação para tanto, confesso, sempre foi meu próprio infortúnio. Depois de iniciarmos a Gruta, hoje Caverna, esse blog que só me dá alegrias, tirando as tristezas, comecei a admitir a possibilidade de abençoar mais gente, além de mim mesmo. Sabe como é, caverna lembra refúgio de endividados e se há uma característica comum entre esses párias, sem dúvida, é o desemprego ou o subemprego. Estranho, mas emprego pode não ser a melhor solução para um endividado. Primeiro porque se o nominho dele estiver no SERASA, SCPC, cartórios e todas essas porcarias a serviço do capitalismo selvagem (e não estou pregando o socialismo) o cara está meio morto e dificilmente arrumará um trampo com carteira assinada e as costumeiras enganações do sistema trabalhista do senhor Getúlio Vargas, aquele pulha. Depois, serão objetos de cerceamento a idade, o estado civil, a aparência e por último competência e experiência ou a falta delas, sem falar na diminuição significativa dos postos de trabalho, em escala generalizada. Pessoal não acredita, mas, há uns oito anos, mantenho meu currículo em dois dos maiores sites de busca por empregos da internet tupiniquim. Não pense você que limitei a busca só para vagas relacionadas à minha formação, mas o resultado tem sido frustrante. A melhor indicação de vaga que recebi deles  foi a de gerente de loja de calçados na baixada fluminense, o que considerei algum tipo de gozação, obviamente. Só faltava os caras me oferecerem vaga para vender sapatos na Biafra. Entretanto, o melhor dessa história são as minhas experiências antropológicas. Certa vez, dez anos atrás, estava na av. Prestes Maia Celso Garcia, ao lado do templo da Igreja Universal e vi uma placa pendurada no balcão da recepção de um prédio, informando haver vaga para zelador. Fui lá e pedi para falar com o responsável sobre o trampo. O cara quando me olhou de cima a baixo, disse na lata: o senhor me desculpe, mas estamos procurando alguém mais jovem, de qualquer modo, deixe seu telefone e ligarei depois. Em 2006, o posto de gasolina aqui perto de casa estava recrutando frentistas, a R$ 480,00 por cada, então fui lá e me candidatei ao cargo. Passei por uma minuciosa entrevista de uns três minutos, devido a interrupções constantes do caras querendo troco, e o responsável me informou que, infelizmente, todas vagas tinham sido preenchidas antes de minha chegada. Deixei meu telefone para ele me informar assim que houvesse uma nova e, até hoje, ele não me ligou. Poderia relatar mais umas muitas tantas outras situações desse tipo. Tudo isso tem contribuifo muitíssimo para a minha auto estima, especialmente se considerarmos as minhas capacidades.  A verdade é que tenho muito trabalho a fazer com o Projeto Coração Valente e o Cleaner. O problema é meu trabalho não ser remunerado, e assim, meu sustento fica na dependência de esmolas, pelo amor de Deus. Caso você tenha um emprego a me oferecer, pode entrar na fila do pessoal que está querendo me ligar com a mesma finalidade. Quem sabe você tem mais sorte do que eles.

Pastor da Caverna

•11 11UTC Julho 11UTC 2009 • 2 Comentários


Maria Madalena da Caverna

Clique na foto se desejar assistir ao vídeo

Outro dia, em um desses inúmeros congressos, dos quais sou obrigado a participar, em igrejas e auditórios improvisados nas principais favelas e periferias de pequenas cidades, me perguntaram como cheguei a ser pastor da Caverna. Por um instante, hesitei em responder, pois a primeira idéia a surgir em minha mente foi a de uma resposta longa, imprópria naquele momento. Depois respondi com a velha evasiva da promessa de escrever a respeito no blog, qualquer dia. Essa semana recebi um E-mail de alguém me cobrando o tal texto. Ao ler, senti uma ponta de hostilidade naquelas palavras e achei melhor postar logo e parar de embromar. Bom, antes de mais nada, há  trinta e muitos  anos, fui orientado pelo Dr. Shedd sobre o embasamento necessário a um pastor de gruta. Segundo ele, após o domínio da língua inglesa, deveria estudar Teologia, particularmente teologia sistemática e dogmática, além da Bíblia, para a qual seria importante definir-me por um dos dois testamentos, já que seria impossível, em uma única vida, dedicar-me aos dois. Depois, incluir a história da igreja e a ética cristã. Em seguida, entrar pelo terreno da Filosofia, não esquecendo da Filosofia da Religião. Feito isso, dedicar um mínimo de dois anos pastoreando em congregações de beira de barranco, sem remuneração. A seguir, escolher um pastor renomado, ativo em alguma igreja grande e trabalhar como co-pastor do dito cujo. Alguma experiência em missões internacionais e nacionais seria bem vinda no processo, talvez servindo em uma agência missionária por uns três anos. Catei essa agenda e sai por aí a tratar de cumpri-la. A parte do seminário foi mole. As escolas de teologia por aqui são fraquíssimas e não exigem quase nada, além de funcionarem durante período noturno, na maioria dos casos. Para ser fiel a orientação de meu tutor, estudava muito além do cronograma das matérias e fazia leituras complementares em larga escala. Na verdade, não havia nenhuma escola com um currículo capaz de contemplar aquele programa, então procurei adaptar o melhor que pude. Matriculei-me no CEL- LEP e voltei a estudar inglês, abandonado desde os tempos de ginásio. Então me engajei no movimento de missões na cortina de ferro, viajando primeiro por minha conta e risco, e logo depois fui contratado para trabalhar na Missão Portas Abertas, devido a essa experiência. O barato é que meu chefe lá, não sabia nada de Bíblia e sua maior viagem havia sido uma descida da serra para Santos, a fim de comer frango com farofa na Praia Grande. Como todos sabem, acabei sendo defenestrado e fiquei alguns meses na rua da amargura. Mas, firme em meu propósito de vir a ser um pastor de gruta (ou caverna), arranjei um emprego na prefeitura para dirigir uma creche. Isso preenchia com vantagens a exigência de experiência em missões nacionais. Consegui completar dois anos nisso, antes de ser banido do serviço por agentes secretos do PT, com a devida anuência do prefeito à época, um safado (em minha opinião) chamado Mário Covas, todos ateus confessos. Logo consegui licença para pastorear uma congregação em uma pequena favela em Vila Madalena, que funcionava em uma casa prestes a desmoronar e acabou sendo demolida, tempos depois. Com o fim dela, a escola providenciou-me outra, dessa vez em Morro Grande, na divisa de São Paulo com Osasco, mais uma vez, em uma favela e das grandes. Concomitantemente, comecei a dar aulas de teologia em quatro escolas de qualidade duvidosa. Tudo isso, trabalhando do jeito que dava, dando aulas de educação física ou em algum negócio próprio. Nesse tempo já era casado e tínhamos a Carolina e o Pedro. Então fui aos Estados Unidos, para uma temporada por lá. O plano era trabalhar enquanto reunia mais condições para chegar ao glorioso cargo de pastor de Caverna (ou Gruta). Voltamos de lá, o Thomas nasceu e precisei adiar meu ingresso nesse pastorado. Assim foi, indo e vindo em missões e desafios, no Força Para Viver com o Volney, Exército de Salvação, Igreja Maná, Esquadrão Vida, Refúgio, Casas Taiguara, etc. até quatro anos atrás, quando finalmente fui admitido ao pastorado da Gruta, hoje Caverna. Fui convidado por uma junta de anciãos que avaliou meu currículo, considerando-me apto nesse quesito, faltando apenas eu concordar com as condições. Pensei tratar-se de grandes exigências, mas não era. Segundo os velhinhos, deveria pastorear com humildade, devoção e longanimidade. Sempre que possível, deixar o fruto do Espírito dirigir minhas ações e palavras, além de me conformar com um público cibernético e a famosa simplicidade do espaço. Ah, sem remuneração, claro. Só isso. Antão fui consagrado ao pastorado da Caverna.

Michael Jackson – They Don't Care About Us

•9 09UTC Julho 09UTC 2009 • 3 Comentários

Como grutense número três, estou endividado. Meu maior e mais importante credor hoje é, ninguém menos do que Sir Michael Jackson. Ele superou todos os outros meus verdugos, nos últimos dias. Inocentemente, resolvi fazer uma homenagem ao maior artista pop da história, falecido em 25 de junho último. Inseri o vídeo clip Thriller em um post, sem texto, por acreditar na força da imagem, capaz de falar por mil palavras. De alguma forma, ele foi informado no lugar onde está. Talvez tenha ingressado no tal Reino anunciado por Jesus e tomado a forma ou, pelo menos, os atributos e facilidades dos anjos, e tratou de retribuir minha homenagem, em sua conhecida liberalidade. Este blog recebeu nos três últimos dias a maior visitação de sua breve história, elevando o número para a marca de 1550 passantes diários. Claro, eles vieram ver Michael, numa tentativa de segurá-lo por aqui. A ironia é que estamos em uma caverna, ou gruta, exatamente onde grandes personalidades costumam ser vistas em suas últimas aparições. Tudo bem, sei bem dos entraves teológicos disso tudo. Mas há precedentes. Ultimamente, os estereotipados, colegas de nossa igreja cibernética em comunhão diária via Twitter, Blog e redes sociais diversas andam competindo para apurar quem consegue ler mais livros. Em princípio, parece uma boa competição, mas não para mim, capaz de admitir três únicas formas de competir: futebol, natação e xadrez. Os livros são objetos quase sagrados, para mim. Costumo tratá-los com muito respeito e devoção. Nem sequer os deixo próximos de seus desafetos. Jamais colocaria um Fernando Pessoa perto de um Fernando Sabino ou um Jorge Luís Borges a lado de um José de Alencar. Nada contra escritores brasileiros, pois até gosto de dois ou três. Embora tenha dilapidado boa parte de minha biblioteca para não deixar faltar comida em nossa mesa, ainda tenho alguns bons volumes em minhas prateleiras. Um dos meus preferidos, como alguns já notaram, é “Minha Vida e Minhas Idéias” de Albert Schweitzer. Ele me ensina o caminho do saber; por exemplo, foi ele quem me mostrou a importância quase primária da leitura de três obras: “O Contrato Social” de Rousseau, segundo ele, a mais grandiosa criação lingüística em francês, “A tradução da Bíblia” de Lutero, a perfeição mais apurada na tradução a Bíblia e “Além do Bem e do Mal” de Nietzsche, na língua alemã. Ele encantou-me a fim de garantir minha permanência na Teologia, somada ao amparo da Filosofia. Infelizmente, como bom grutense, procrastinei deixando para a última hora o cumprimento de minha missão ministerial. Dia desses, fui lembrado dela, novamente. Quase todos entendem haver uma relação entre a mendicância de  minha vida travada atual e uma possível libertação futura rumo à verdadeira prosperidade, caso volte à minha sina missionária. Talvez estejam certos, não sei, parece predestinado demais, dogmático demais para um deserdado de Calvino. Nesse livro encontro base para meu colóquio sobre Michael Jackson e, quem sabe para todos nós. Em seus estudos dos evangelhos sinópticos, Schweitzer conclui às tantas: “Mas os pertencentes ao Reino dos Céus já não são homens naturais, pois com o inicio do Reino messiânico sofreram uma transformação que os elevou a um estado sobrenatural, igual ao dos anjos. Na sua qualidade de seres sobrenaturais, o menor dentre eles é maior, por conseguinte, do que a maior personagem humana da História do mundo.” Eles não cuidam de nós, grutenses.

Gramado

•8 08UTC Julho 08UTC 2009 • 3 Comentários

Com esse friozinho batendo à porta, Gramado e seus chocolates, mais uma sugestão para o inverno. Na falta de, você pode ler minhas bobagens ou descobrir de onde as tiro, como meu princípio do insulto.

Insultar é uma Honra

Assim como ser insultado é uma vergonha, insultar é uma honra. Por exemplo, mesmo que a verdade, o direito e a razão estejam do lado do meu adversário, não deixo de insultá-lo; desse modo, todas as suas qualidades passam a ser desconsideradas, e o direito e a honra passam a estar do meu lado. Ele, pelo contrário, perdeu provisoriamente a sua honra – até conseguir restabelecê-la, não mediante direito e razão, mas por tiros e estocadas. Logo, a rudeza é uma qualidade que, no ponto de honra, substitui ou se sobrepõe sobre as outras. O mais rude tem sempre razão: para quê tantas palavras? Qualquer estupidez, insolência, maldade que alguém possa ter feito, uma rudeza retira-lhes essa característica e elas são de imediato legitimadas. Se, numa discussão ou conversa, outro indivíduo mostra conhecimento mais correto do assunto, um amor mais austero à verdade, um juízo mais saudável, mais entendimento que nós, ou se em geral exibe méritos intelectuais que nos deixam na sombra, então podemos de imediato suprimir semelhantes superioridades e a nossa própria mesquinhez por elas revelada e sermos, por nosso turno, superiores, tornando-nos ofensivos e rudes. Pois uma rudeza derrota todo o argumento e eclipsa qualquer espírito; isso se o oponente não tomar parte nela e replicar com outra maior ainda. Não o fazendo, chegamos à vantagem no nobre desafio; desse modo, permanecemos vitoriosos e com a honra do nosso lado. Verdade, conhecimento, entendimento, inteligência e espírito têm de ser desconsiderados e acabam por ser reprimidos pela divina rudeza. Por conseguinte: as «pessoas de honra», tão logo são confrontadas com uma opinião diferente da sua ou simplesmente com um entendimento mais arguto que pode contradizê-las, preparam-se imediatamente para montar no seu cavalo de batalha, e se, numa controvérsia, lhes faltar um contra-argumento, procurarão uma rudeza, que servirá para o mesmo fim e é mais fácil de encontrar. Em seguida, vão-se triunfantes. Nesse caso, já se vê o quão é justo dizer, em louvor do princípio da honra, que ele enobrece o tom em sociedade.

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'- Extraído de O Citador.

Um outro senador José

•7 07UTC Julho 07UTC 2009 • 3 Comentários

Charge do Jasiel Botelho

MARCOS 15:43

Chegou José de Arimatéia, senador honrado, que também esperava o reino de Deus, e ousadamente foi a Pilatos, e pediu o corpo de JESUS.

Fico imaginando, tolo que sou, como seria se pintássemos um outro cenário no quadro atual. Em meus devaneios, corro para o meu Igoogle em busca da manchete “Senador José Sarney renuncia, após denunciar todos os desvios do senado, além dos próprios erros.” Também gostaria de saber o Senado próspero, sem esse negócio de aprovar leis e mais leis, tornando nossa constituição inoperante e desnecessária. Nós cristãos nascemos de uma religião que tinha dez leis apenas, mas nosso Mestre fez delas uma só, a saber: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.” (Mateus 7:12) e temos enormes dificuldades em cumpri-la. O futebol, esporte mais popular da terra, tem 17 regras e, dificilmente, encontramos alguém que as conheça inteiramente. Entretanto, gastamos milhões do dinheiro de um povo pobre, em sua maioria, para manter uma incomensurável minoria produzindo leis que  nem o mais alto magistrado consegue discernir e que jamais serão cumpridas, entre uma corrupção e outra. Nosso José, atual presidente do Senado, ao invés de buscar o corpo de Cristo para dar-lhe descanso, apega-se ao cargo, com a consciência de quem precisa manter um dos maiores esquemas de corrupção do mundo, segundo dizem por aí. Não sei o que eu daria para um único gesto honrado do quilate do praticado pelo José de Arimatéia. Mas seu maior ato de honra foi precedido pela fama de ser um senador honrado. Dois mil anos depois, e lemos sua designação: “Senador Honrado”. Qual será a designação do senador José  Sarney, daqui a meros dez anos?

Às 23:32 a situação em termos de visitação ao blog estava assim:

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